quinta-feira, 1 de março de 2012

São Paulo e a gente

Estou há 1 mês e meio morando em São Paulo. Antes disso, fiquei 7 meses em Campinas, vindo à capital pelo menos uma vez por mês. Ou seja, já deu pra sentir um pouco a “pegada” dessa cidade louca. Uma cidade em que, quem diria, eu nunca imaginei que estaria morando. “Já é muita gente, não tem que ir ainda mais gente pra lá, tem é que sair...”, eu pensava. E de repente, pimba: virei um de milhares de migrantes que vem pra essa tal de “selva de pedra” por ano...

Realmente, em geral a primeira coisa que se pensa quando se fala em São Paulo, em qualquer lugar do Brasil, é “muita gente”. Outro dia vi uma placa no metrô que me chamou a atenção: era uma dessas mensagens educativas, dizia algo como “seja gentil ao dar passagem: o metrô é feito de milhões de gestos, milhões de pessoas”. Perceberam? Não dizia “milhares”, mas “milhões”! Só no meio de transporte que eu utilizo, passam 10 dígitos de cabocos por dia. É gente pra encher um país da Europa! Isso sem contar quem anda de trem, ônibus, carro, táxi, helicóptero... Pois é, até helicóptero. Não pra viajar, mas pra se deslocar entre dois pontos de uma mesma cidade... (se conto isso lá na roça do meu pai, logo escuto um “ó bobo! Inté licópitro? Benzadeus!...”).

Como não sou lá muito fã de tumultos, nem alguém que se sente, digamos, naturalmente à vontade com qualquer tipo de gente, a idéia de morar aqui me assustava, de início – como assuta muita gente. E, realmente, não é uma vida nada simples. Se você não tiver dinheiro suficiente pra ser passageiro de helicóptero e só freqüentar lugares cada vez mais “vips”, inevitavelmente vai ter que conviver com pessoas – que aqui, além de muitas, são bem diversas. Diversos sotaques, diversos “jeitos de ser”, diversas realidades... Não é uma cidade, é um país espremido num monte de concreto, de tanta gente diferente que se encontra aqui: gringos, nordestinos, japoneses, italianos, mineiros... até paulistas. Mas – e aí vem a parte interessante – é justamente isso que está fazendo cada vez mais o “susto” desse mineirinho aqui ir virando, aos poucos, um certo fascínio...

Pessoas são a coisa mais complicada desse mundo – palavra de alguém que foi louco o suficiente pra decidir estudá-las, escolhendo fazer Psicologia em meio a tantas opções... Mas pessoas também podem ser surpreendentes. Não estou trabalhando com psicoterapia, mas atendo num serviço de rastreamento de estresse com executivos de algumas grandes empresas – são 30 minutos de consulta com cada cliente, o suficiente para sair do trabalho, ao fim do dia, tendo ouvido todo tipo de história. Do impressionantemente arrogante “meus filhos são chatos, aliás como todo filho, toda criança, todo adolescente, né... mas eu já sabia disso, então já avisei minha mulher que seria assim, nunca peguei eles no colo, deixei pra lá. Mas tem que ter filho, você é jovenzinho mas um dia vai ver, ter filho é bom pra gente se sentir um pouco mais jovem, faz bem pra gente...” ao emocionante “eu acho que sou capaz de desempenhar um papel útil na minha vida, sim... mas às vezes queria poder fazer mais, sabe? É que eu tenho uma ONG, né... e eu vou pra lá, fico escutando a história das pessoas, elas contam coisas tão sofridas, me emociono com elas, choro com elas... e eu vou pra casa pensando: eu faço algo, mas queria fazer mais...”

Ambos são relatos de executivos, gente com certa importância dentro da mesma empresa, uma conhecida editora que proporciona a todos nós, brasileiros, aquelas revistas que vemos nas bancas, toda semana. É interessante pegar uma revista na espera do dentista e ficar imaginando quem são as pessoas por trás daquilo tudo, como vivem, como vêm o mundo à sua volta, como lidam com o estresse... Esses dois executivos que citei, por exemplo, não apresentaram nenhum sintoma de estresse ou qualquer problema psicológico, na nossa avaliação. O segundo, provavelmente, pela forma bonita como encara a vida; já o primeiro, talvez, por não deixar os problemas lhe atingirem, devolvendo-os com a devida arrogância a quem lhos apresenta.

Pois, pra chegar num endereço que valia uma fortuna no Banco Imobiliário e atender essa gente que apresenta problemas como “quando me aposentar, não sei se fico aqui ou vou morar na Suíça com minha filha”, pego três linhas de metrô e uma de trem. É uma viagem longa, mas relativamente confortável – algo que essa cidade parece, sim, ao menos “tentar” proporcionar... E hoje, em meio à correria de tentar fazer esse trajeto em tempo recorde (consegui em “apenas” uma hora!) por conta de uma mudança de planos de última hora, entro no trem lotado e ouço um som de pandeiro e o anúncio, com sotaque nordestino, de que começaria um “show”. Minha reação natural, como creio que de grande parte dos passageiros, foi pensar “poxa, lá vem mais uns chatos... bom é no metrô, que não tem isso”. Mas foi sensacional levar um belo “tapa de luva” de dois dos melhores repentistas que já vi, sem exagero. Rimavam com tudo, faziam piada com tudo – desde os jovens que não deixavam os assentos especiais pros idosos, ao rapaz que usava um tênis caro, da Nike, mas sem meia. “Filho de rico quando chora ganha passagem de avião, já o do pobre chora e ganha é um safanão”, cantavam de uma forma bem mais engraçada do que eu consigo me lembrar agora. Sempre “dando um intervalo” e escondendo o pandeiro nas paradas, pro guarda não pegar. Não havia, no vagão, quem não desse risada. “Muito bom ser desestressado dessa forma”, comentou um cara com o que estava ao lado. Antes de descer, fiz questão de sair de onde estava e ir lá deixar uns trocados no pandeiro. Mas ao desembarcar, logo me arrependi: podia ter contribuído com mais. O show valia.

São surpresas, situações dinâmicas como as que temos o tempo todo, por aqui. Em poucas semanas de São Paulo, já pude ver muita coisa. Conhecer várias pessoas, de uns fazer grandes amigos (mesmo!) e de outros nada restar. Reparar na gente educada que sempre cede passagem no metrô – mesmo com pressa – e nos motoristas que nunca, jamais, cedem passagem aos pedestres – mesmo nos fins de semana. Nos antenados, que andam de bicicleta e buscam formas sustentáveis e “espiritualmente evoluídas” de viver (geralmente flertando, de forma um tanto “light”, com religiões orientais e todo tipo de meditação) e nos conservadores clássicos, que fazem a polícia tratar o pobre e o diferente na base do cacetete, sem melindres. Descubro, a cada dia, que “muita gente” pode ser sinônimo de muito problema – ou de muita solução. Pode ser uma multidão de chatos, ou uma coleção de gente interessante. Uma selva onde todos competem a cada segundo para ver quem vai passar por cima do outro – ou uma grande comunidade onde todos tentam fazer a sua parte, sabendo que também dependem da parte do outro pra tudo funcionar um pouco melhor. Um emaranhado de concreto e asfalto, ou um arranjo inteligente de formas arquitetônicas cada vez mais belas, sabendo valorizar, quando possível, o que resta de natureza...

Pois vejo essas duas “São Paulo” o tempo todo, coexistindo lado a lado, em cada canto. O caos e a beleza, a zona e a ordem. Tudo junto e misturado. Como nas pessoas. Como na gente...

sábado, 29 de outubro de 2011

Só no mundo


Chamava-se Cristina e tinha 23 anos e uma história de marejar os olhos. Família de onze irmãos. Das treze pessoas sobraram ela e dois irmãos, um dos quais não via há cinco anos. O pai fora morar com outra depois de encher a mãe de filhos. Fez mais três na outra matriz. Morreu aos 50 anos de cirrose hepática, a mãe morreu de complicações no pulmão.

Um por um, os irmãos foram morrendo: Numa só noite dois irmãos foram esfaqueados; quatro deles em três anos por atropelamento, overdose, ataque epiléptico e doença que ela nem sabia dizer qual. Para resumir: ela e o Cristiano só tinham um ao outro. Ele com dezesseis anos, dependente dela. Queria uma ajuda porque Cristiano andava mexendo com maconha e ela não podia perdê-lo. O rapaz deu de não mais estudar nem trabalhar.

O dinheiro do aluguel mal dava para se manterem. Uma escola mudaria o Cristiano. Fiquei olhando aqueles olhos tristes e vermelhos de chorar, pelo único irmão que lhe sobrara. Indiquei um grupo católico que ajudava rapazes drogados. Conseguimos internação. Ontem fiquei sabendo que há 6 meses o rapaz morreu afogado em Santos.

Sobrou a Cristina. Veio me ver. Está envelhecida aos 27 anos.

Só no mundo e literalmente só. Pediu licença e fez-me uma pergunta:

- Deus quis tudo isso, padre?

Se eu fosse da linha fundamentalista, iria citar umas 20 frases da Bíblia, para dizer que Deus sabe o que faz e que isso tudo foi para o bem. Como minha fé não tem resposta para tudo , respondi:

- Gostaria de saber porquê, mas não sei. Gente como você, Cristina, faz a gente repensar o conceito de vida e de Deus. Agora você sofre. Daqui a 15 anos teremos outras respostas. E quem sabe você estará me explicando a dor da cruz.

Apertou-me, abraçou-me e disse:

_ Não lhe contei. Estou namorando e vamos nos casar no fim do ano. Reze por nós.

E eu…

_ Olha aí uma resposta!

26/11/2007

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Amor é um drama

"Não existe nada que, mais do que o amor, ocupe sobre a superfície da vida humana maior espaço, e nada existe que, mais que o amor, seja tão desconhecido e misterioso. A divergência entre o que se encontra na superfície e aquilo que é o mistério do amor – eis a fonte do drama. Esse é um dos maiores dramas da existência humana. A superfície do amor tem sua corrente própria, rápida, cintilante, susceptível de modificar-se. É um caleidoscópio de ondas e de situações cheios de fascínio. Essa corrente por vezes se torna tão vertiginosa que arrebata as pessoas, homens e mulheres. Convencidos de que alcançaram o sétimo céu do amor, nem sequer de leve o tocaram. São felizes por um instante, quando crêem ter chegado aos confins da existência, e terem arrancado todos os véus, sem qualquer resíduo. Sim. Na verdade, na outra margem não restou nada, depois do êxtase não ficou nada, não há mais nada. Não, não é possível terminar assim! Ouça-me, não é possível. O homem é um continuum, uma integridade e continuidade – portanto não pode permanecer um nada."

"A Loja do Ourives", teatro - fala do segundo ato.
Andrzej Jawien (pseudônimo de Karol Wojtyla, futuro João Paulo II) - 1960

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vestido

_ Por que as mulheres se exibem tanto? Não, não estou falando de ficar bonita, se produzir... A beleza não precisa ter explicação, faz parte da vida; e o que é bonito é, sim, pra se mostrar – só não bote essa frase na boca de um cantor de axé ou de funk, por favor!

Ela sorriu. Ele continuou falando, inquieto.

_ A beleza de uma pessoa, seja interna, externa ou tudo isso junto, deixa qualquer ambiente melhor... Mas por que raios as mulheres não conseguem diferenciar beleza de sensualidade? Sim, veja só. Um belo decote, um vestido leve, um cabelo milimetricamente cuidado... tudo isso pode parecer não ter “nada demais”, mas em certas mulheres é mais sedutor do que se estivessem nuas. Aliás, a nudez completa, gratuita, nem é tão sensual assim. Tem mulher que, com um belo vestido, deixa qualquer homem mais excitado que muita Playboy da vida. Aí me lembro de uns religiosos fanáticos que dizem que as mulheres só podem usar vestido, porque calça seria “muito sensual”. Não sabem nada de sensualidade...

A sensualidade está na pessoa, o que ela veste só reflete isso. Tem umas que até tentam, mas não têm jeito pra coisa: quanto mais sensuais procuram ser, mais vulgares ficam. O máximo que conseguem é transmitir ao homem a mensagem: “sou fácil, vem logo se tiver coragem”. Outras, não: sabem exatamente como seduzir. Há mulheres que simplesmente exalam sensualidade por onde passam.

E isso não é sempre bom, sabia? Sério! Às vezes desconcerta a gente. É engraçado, pois parece que no fundo tudo o que nós, homens, queremos é sexo. É ficar louco por uma mulher. É não resistir quando ela olha e nos deixa bambos, sem ação. Não vou negar que essa sensação é boa, mas tem limite. É complicado, por exemplo, num ambiente de trabalho, quando você tem que levar as coisas a sério e uma mulher tenta te seduzir pra levar vantagem em algo, fazer você pensar menos antes de agir. Quantos casos eu conheço de homens que deram grandes mancadas na vida por causa de uma mulher sedutora...

É claro, o oposto também é verdade. Tem muito homem conquistador que deixa qualquer mulher na mão, quando quer. Mas o meu ponto é: as mulheres, muitas vezes, fazem isso sem perceber. Elas acham que estão só ficando bonitas, “bem apresentáveis”, mas não: estão se vestindo pra seduzir. É inconsciente. Acham que estão sendo simpáticas, mas não: estão mostrando seu poder de conquista. É claro, se lhe perguntam, coram e juram que não tem nada a ver, é só seu jeito de ser... Nem elas sabem o que fazem. Acham que estão se produzindo para “outras mulheres”, com aquele papo de que homem no fundo não sabe apreciar tanto a beleza feminina... Bobagem. Não há tantas lésbicas no mundo. O que elas querem, no fundo, é competir com as outras. Querem intimidar a concorrência. E pra que tanta competição? Ora, só pode ser pelo macho. Acho que entre os mamíferos, o ser humano é o único animal em que as fêmeas gostam mais de competir pelo macho que vice-versa. Fala que é mentira!

Ela riu.

_ Ok, basta beber um pouquinho que já falo demais... Mas tudo bem, o que eu penso é isso aí mesmo, minha consciência está perfeita... Digamos que só estou um pouco mais falante, com coragem de botar tudo pra fora...

_ Achei interessante.

_ Sério? Não vai me trucidar? Chamar as feministas?...

_ Não... só gostaria...

Pausa.

_ De lhe fazer uma pergunta.

Ele mudou a posição na cadeira, atento. Os olhos dela, até então baixos, se viraram pra os dele.

_ E comigo? Você acha que é assim também? Que estou sempre seduzindo, sem perceber?... Seja sincero!

Ele sorriu, fez um gesto, parou, pensou. Botou a mão no queixo, olhou pra cima, enquanto ela sorria, discretamente. Fez menção de falar algo, sorriu, ela retribuiu. Por fim, falou.

_ Não sei...

_ “Não sei”... isso não seria uma resposta tipicamente feminina?

_ Está querendo me enrolar, moça? – riram. – Ok... Mas falando sério... Acho que não, você não parece ser assim. Taí: acho que você é uma exceção à regra.

_ Nem inconscientemente?

_ Ao menos não demonstra.

_ Hum... quer dizer então que não sou sensual?

_ Não é isso. Digamos que você não esbanja seu charme, seu poder de conquista. Hum... talvez você seja uma daquelas pessoas que compartilham sua beleza com o mundo, sabem deixá-lo mais belo com seu sorriso, mas guardam seu jogo, sua sedução, para a hora que realmente importa. Não brincam com os homens ao redor, não jogam pérolas para os porcos.

_ Uau! Então eu sou tudo isso?

_ Creio que sim.

_ Então sou uma peça valorizada. Feliz o homem que merecer minha sedução...

_ Será um escolhido entre mil.

_ Nem tanto. Não conheço tanta gente assim.

_ Pois então trate de conhecer.

_ Não preciso.

_ Por quê?

Os olhos, que oscilavam para os lados, mergulharam nos dele.

_ Estou de vestido. Não percebeu?...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Demônios

_ Então vou te contar a minha história, irmão. Presta atenção. Eu era um jovem normal, trabalhava, queria fazer faculdade, olha que desgraça! Eu era tranquilo, um cara que todo mundo gostava. Mas aí eu conheci o demônio, cara. O demônio em forma de pessoa. Uma menina que era um anjo no começo, quando a gente se conheceu. Era tudo maravilhoso, ela era sensacional, linda, um amor de pessoa... Durante um tempo foi tudo muito bom. Eu só queria fazer de tudo pra ela, mas ela tinha que corresponder, pô, tinha que ser só minha, tá ligado? Onde já se viu? E ela começou a fazer muito nhem-nhem-nhem, aquilo foi me irritando, eu tentei mostrar pra ela como as coisas são, ela era muito novinha, tinha que entender. Mas ela era teimosa, aquela praga. Menina mimada. Mas eu gostava dela, cara, eu amava ela como nunca amei ninguém nessa vida. E queria o melhor pra ela, queria que ela entendesse como eu amava ela, como eu queria ela junto de mim, que fazia aquilo tudo por amor, pô! Mas aí as coisas foram acontecendo, e quando eu dei por mim ela já não era mais o anjo da minha vida, era o demônio. Eu amava o demônio. Minha vida ficou um inferno. Eu não sabia mais o que fazer, cara. Não sabia mais como viver sem ela, não existia essa possibilidade. Ela me conquistou, aquela filha da... Com o perdão da expressão, irmão. Mas ela fez porque quis, eu não forcei nada. Ela me seduziu, e conseguiu me deixar fraco e sem chão como eu nunca fui na vida, o que eu sentia era amor de verdade, se é que isso existe, cara. E ela fez de propósito. Queria me conquistar, me fisgou que nem lambari no anzol, e depois quando a coisa ficou complicada queria me largar sem mais nem menos, dizia que a culpa era minha. Ah, irmão... veja só, não tinha como, não existia essa possibilidade. A gente era um do outro, pra mim só existia ela, e sei que ela gostava de mim também, pô. Mulher é um bicho estranho, parece que não pensa. Ou pensa, e faz as coisas de propósito só pra irritar a gente. E ela conseguiu, viu cara? Fez tanto charme, que conseguiu me deixar louco, nervoso, maluco com uma intensidade que eu nunca fui. Quanto mais eu brigava com ela, falava pra ela parar com aquilo, mais ela me infernizava. Me esnobava, dava bola pra outro na minha frente. Ela queria me deixar completamente pirado, e conseguiu. Chegou num momento que eu não tive escolha, irmão. Tinha que acabar com aquilo tudo. Eu tava maluco, tava sem vida. E tinha que acabar com aquele demônio que me deixou assim, não via mais jeito. Planejei tudo, avisei ela, dei chance, mas aí é que ela me xingou mais ainda, fez o diabo, disse que ia na polícia. Mas eu sabia que ela não ia, só queria me infernizar. Aí fui no apartamento dela numa hora que ela tava sozinha, ela atendeu, chutei a porta, fui direto pegar a arma que eu sabia onde o pai dela escondia, e falei que pronto, tava na hora de acabar tudo. Que aquilo era por tudo o que ela já tinha feito comigo. Era o destino, não tinha jeito. Eu nunca tinha pegado numa arma na minha vida, cara, mas naquela hora parecia que eu sabia exatamente o que devia fazer. Era como se só houvesse aquela alternativa, estava tudo escrito. Ela chorou, eu falei que não adiantava mais, ela falou que voltava pra mim, mas eu falei que sabia que era mentira, que ela tava falando só pra não morrer. Eu falei que não ia matar ela, porque morto não mata, e eu já tava morto por dentro. Eu ia só ia levar ela pra onde ela deveria ir, pro lugar dela. Nem sei por que eu falei aquilo, eu tava transtornado... Aí eu fiz o serviço. Só queria acabar com a vida dela, e fiz isso. Não sabia o que viria depois, mas na hora senti o que devia ser feito. Quando eu vi o corpo dela caído ali, cara, aquele corpinho que eu amava tanto, eu sabia o que era pra fazer depois. Minha vida já estava acabada, era só apontar pra testa e terminar o serviço. Não senti nem medo, remorso, nada: era como se tudo já tivesse escrito. Mas aí chegou um mané, um sem noção que quis dar uma de herói, se jogou em cima de mim, quase morreu também o idiota, mas ele era mais forte, conseguiu atrapalhar tudo. E eu vim parar aqui. Nem tenho esperança de sair. Pra quê? Não tenho mais vida lá fora. Nem quero ter. Eu devia é estar junto com ela no inferno... Agora sou um zumbi, sem vida, nem nada. Não era pra eu estar aqui. Aliás, nem era pra minha vida ter acabado. Eu era um cara normal, se você viesse falar de Jesus pra mim naquela época, eu ia te ouvir sem problema, eu gostava de ouvir. Mas foi culpa do demônio. Daquele demônio. Mulher não é coisa de Deus, irmão. Não é não....

_ Mas... e se fosse a sua filha?

As expressões foram mudando, até ele entender a profundidade da pergunta. Demorou alguns segundos para responder.

_ Se fosse minha filha... eu ia acabar com a raça do desgraçado que fizesse isso com ela.

_ Então ela não seria um demônio...

_ Não, ela era um amor de pessoa, era um anjo. O demônio ia ser o filha da puta que ousasse encostar a mão nela...

Silêncio.

- Quer saber, irmão? O Demônio tá é dentro de cada um. De todo mundo. Ele tá só esperando a deixa dele pra tomar conta da gente. É só a gente deixar...

_ Mas Deus também está.

_ Pode ser, irmão. Pode ser...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Afinal, o que querem?

Uma amiga me pergunta (com ar um tanto misterioso) se eu estava acompanhando aquela série da Globo, “Afinal, o que querem as mulheres?”. Outra amiga desabafa no Twitter sua indignação com o último episódio, que parece não ter dado a tão esperada resposta. Homens aproveitam o assunto pra fazer infindáveis piadinhas, hilárias ou machistas...

Parece que, mais do que dar audiência pra uma obra “cult”, a Globo conseguiu com esse programa trazer à tona uma pergunta pra lá de milenar. Afinal, que homem nunca se perguntou o que afinal uma mulher quer dizer com tantos murmúrios, olhares, "não sei", "talvez" e japonês em braile? E que mulher nunca se esforçou para tentar ser compreendida – nem que seja por si mesma?...

Pois eu acho que a resposta, em termos de relacionamentos, pode ser mais simples do que se imagina. Sim, amigos e amigas: tentarei o sacrilégio de esquematizar, resumir, generalizar, simplificar essa questão... Quer dizer, simplificar mas ainda deixá-la complexa. Tipo assim:

Ora, as mulheres (ao menos as mulheres modernas "básicas", por assim dizer) querem que os homens saibam como lhes fazer felizes.

Ponto.

Simples assim? Pois é.

A complexidade... bem, a complexidade vem das implicações que esse “querer” representa. Vejamos:

- Felicidade é um conceito um tanto quanto subjetivo. Algo que faz uma pessoa feliz pode não significar nada pra outra pessoa. Meu pai, por exemplo, é chegado num jiló.

- Nem sempre as pessoas sabem exatamente o que é que lhes deixam felizes. Grande parte de nós fica a vida inteira nessa busca.

- Mesmo que tenha idéia de algumas coisas que lhe fazem feliz, uma mulher não gosta de dizê-lo. Prefere que o outro adivinhe. Né não?

- E um homem, mesmo que seja daqueles que dediquem sua vida a tentar fazer uma mulher feliz (sim, meninas, isso existe!), também é uma pessoa em busca de felicidade. Uma hora ou outra, se é um sujeito que se valoriza, ele vai ter seus próprios anseios, que nem sempre irão coincidir com os das mulheres...

Imagine então todas essas “complexidades” juntas, e mais algumas pra apimentar. Sim, é o caos. E se aproximará cada vez mais de um “inferno” quanto mais egoístas forem as pessoas envolvidas nessa relação... Ou se, mesmo sem tanto egoísmo, um duvidar do amor do outro pela dificuldade de entender as diferenças.

E, em meio às frustrações, não raro passa pela cabeça da mulher o famoso mantra: “os homens são todos iguais!”. Algumas logo afastam esse pensamento, mas outras acabam acreditando piamente nisso. E, aí, tudo o que um ser do sexo masculino fizer servirá para comprovar tal tese.

Mas ora, os homens não são iguais.

E é justamente quando a mulher percebe isso, que os homens são tão diversos e complexos quanto ela, mas têm formas bem diferentes de demonstrar, é que deixa de ser tão difícil para eles – e para ela própria – compreendê-la e fazê-la feliz.

É tudo uma questão de inteligência, de ambas as partes. De sabedoria de vida, eu diria. Para compreender as inevitáveis diferenças: muitas delas são de nascença, “cromossômicas”; outras herdadas da cultura e das experiências de vida nem sempre fáceis que cada pessoa, seja de que sexo for, enfrenta nessa sociedade.

É preciso valorizar o outro. É só procurando entender o outro lado e mergulhando na beleza de cada um que uma grande mulher encontrará o que realmente merece: um grande homem. Que a valorize, e consiga fazê-la feliz não pelo simples fato de ela ser mulher, mas por ser uma grande mulher...

Como? Bem, aí sugiro o Drummond, melhor do que essa minha prosa aqui. Porque falar de mulher, amigo, é impossível sem verso.

Dá não.

sábado, 13 de novembro de 2010

Preconceitos e Prestobarbas

Dia desses, estava conversando pela rua com um novo amigo, que acabou de se mudar cá para Juiz de Fora. Estávamos falando sobre a cidade, quando ele comentou:
_ Outra coisa boa daqui é que a polícia de Minas é educada, trata a gente com respeito...

Ele estava vindo de uma cidade do Rio de Janeiro.

_ Lá era horrível, policial não respeitava mesmo. Nem pedia documento, já vinha tudo mal-encarado, tapinha na cara, mandava deitar no chão... Me abordavam sempre, eu tinha que andar fugindo de polícia, não gostava de ficar onde tinha policial por perto.

Olhei para ele. Não era, definitivamente, um sujeito mal-encarado, suspeito, mal-vestido. Pelo contrário, é uma pessoa simpática, alegre, passa uma boa impressão. Pelo pouco que o conhecia, via que não era de se meter em encrenca, andar com gente estranha; nem ao menos bebia. Ora, por mais imbecil que um policial seja, ele não sai revistando qualquer um na rua, tem que haver um motivo qualquer, por mais besta que seja, que o leve a suspeitar de alguém. Mas bastou um pouco mais de conversa para que a minha suspeita se confirmasse...

Era a pele. Meu amigo tem a pele morena, tem traços negros. “Motivo” mais que suficiente.

Embrulha o estômago imaginar que esse tipo de coisa acontece. Pior – imaginar que, infelizmente, não é um caso nada raro. Além de ser uma injúria sem tamanho, um crime, é uma atitude simplesmente burra. Pare pra imaginar quantos policiais, financiados pelos nossos suados impostos, estão neste exato momento “dando uma dura em cima de um nêgo” enquanto os verdadeiros bandidos, de qualquer cor e classe, ainda circulam por aí. Aqui em Minas, no Rio, no Acre...

O fato é que a conversa me intrigou, e me fez ficar filosofando sobre as origens do preconceito. Como será que esse tipo de pensamento surge na cabeça de uma pessoa? O que o causa?...

Pois hoje acordei com a campainha tocando. Minha irmã atendeu, e me chamou.

_ Bom dia, senhor... Desculpe incomodar, eu moro aqui na redondeza...

O mesmo papo de sempre, pensei. Ontem mesmo fiquei um pouco chateado com um rapaz que nos abordou na rua, enquanto andava com minhas irmãs e minha cunhada, pedindo uns trocados. Não gostei da forma como insistia, e sobretudo como olhava para as meninas. O tipo de situação que nos força a ser um pouco mais ríspidos, algo do qual realmente não gosto.

Mas o homem de hoje continuava:

_ ...é que eu tenho uma entrevista de emprego hoje, e estou passando nas casas pra ver se consigo um prestobarba usado, ou qualquer coisa...

_ Só um instante – eu disse da janela, enquanto pegava uma cartela com dois aparelhinhos novos e descia pra entregar. Mas fui ainda um pouco ressabiado, pensando que ao entregá-los ele pudesse pedir um também algum dinheiro, naquele estilo “dá a mão, quer o pé”. E qual não foi a minha surpresa pelo seu contentamento:

_ Mas são novos!

_ Sim.

_ Puxa, obrigado! Obrigado mesmo!!

E se foi.

E agora, relembrando uma gratidão tão sincera por algo tão simples, que me custa tão pouco, eu fico me perguntando porque raios não lhe dei também um sabonete, um pincel de barbear, ou algo que servisse como espelho. Acho que são os pequenos preconceitos do dia a dia, que infelizmente nos deixam tão “armados” nas situações, tão preparados para desconfiar das pessoas, evitando até perguntar se precisam de mais alguma coisa... Poderia ao menos ter-lhe desejado uma boa entrevista, e um “que Deus lhe abençoe”, além do meu tímido “de nada”...

Fico aqui me cobrando... Mas, ao mesmo tempo, agradeço a Deus por ter me dado essa pequena oportunidade de ajudar alguém com tão pouco, com meus prestobarbas e meu simples sorriso. E rezo para que aquele homem tenha tudo o que merece na vida, enquanto eu vou aprendendo mais um pouquinho, a cada dia, a lidar com meus preconceitos, lembrando que as pessoas são diferentes. Como o rapaz de ontem e o de hoje. Como meu amigo moreno e um marginal.

Como eu e você.

(Publicado no Vivo pela Vida em 22.03.2010)

Dia desses, estava conversando na rua com um novo amigo, que acabou de se mudar cá para JF. Estávamos falando sobre a cidade, quando ele comentou:


_ Outra coisa boa daqui é que a política de Minas é educada, trata a gente com respeito...


Ele estava vindo de uma cidade de outro estado.


_ Lá era horrível, policial não respeitava mesmo. Nem pedia documento, já vinha tudo mal-encarado, tapinha na cara, mandava deitar no chão... Me abordavam sempre, eu tinha que andar fugindo de polícia, não gostava de ficar onde tinha policial por perto.


Olhei para ele. Não era, definitivamente, um sujeito mal-encarado, suspeito, mal-vestido. Pelo contrário, é uma pessoa simpática, alegre, passa uma boa impressão. Pelo pouco que o conhecia, via que não era de se meter em encrenca, andar com gente estranha; nem ao menos bebia. Ora, por mais imbecil que um policial seja, ele não sai revistando qualquer um na rua, tem que haver um motivo qualquer, por mais besta que seja, que o leve a suspeitar de alguém. Mas bastou um pouco mais de conversa para que a minha suspeita se confirmasse...


Era a pele. Meu amigo tem a pele morena, tem traços negros. “Motivo” mais que suficiente.


Embrulha o estômago imaginar que esse tipo de coisa acontece. Pior – imaginar que, infelizmente, não é um caso nada raro. Além de ser uma injúria sem tamanho, um crime, é uma atitude simplesmente burra. Pare pra imaginar quantos policiais, financiados pelos nossos suados impostos, estão neste exato momento “dando uma dura em cima de um nêgo” enquanto os verdadeiros marginais, de qualquer cor e classe, ainda circulam por aí. No Rio, aqui em Minas, no Acre...


O fato é que a conversa me intrigou, e me fez ficar filosofando sobre as origens do preconceito. Como será que esse tipo de pensamento surge na cabeça de uma pessoa? O que o causa?...


Pois hoje acordei com a campainha tocando. Minha irmã atendeu, e me chamou.


_ Bom dia, senhor... Desculpe incomodar, eu moro aqui na redondeza...


O mesmo papo de sempre, pensei. Ontem mesmo fiquei um pouco chateado com um rapaz que nos abordou na rua, enquanto andava com minhas irmãs e minha cunhada, pedindo uns trocados. Não gostei da forma como insistia, e sobretudo como olhava para as meninas. O tipo de situação que nos força a ser um pouco mais ríspidos, algo do qual realmente não gosto.


Mas o homem de hoje continuava:


_ ...é que eu tenho uma entrevista de emprego, e estou passando nas casas pra ver se consigo um prestobarba usado, ou qualquer coisa...


_ Só um instante – eu disse da janela, enquanto pegava uma cartela com dois aparelhinhos novos e descia pra entregar. Mas fui ainda um pouco ressabiado, pensando que ao entregá-los ele pudesse pedir um também algum dinheiro, naquele estilo “dá a mão, quer o pé”. E qual não foi a minha surpresa pelo seu contentamento:


_ Mas tão novos!


_ Sim.


_ Puxa, obrigado! Obrigado mesmo!!


E se foi.


E agora, relembrando uma gratidão tão sincera por algo tão simples, que me custa tão pouco, eu fico me perguntando porque raios não lhe dei também um sabonete, um pincel de barbear, algo que servisse como espelho. Acho que são os pequenos preconceitos do dia a dia, que infelizmente nos deixam tão “armados” nas situações, tão preparados para desconfiar das pessoas, evitando até perguntar se precisam de mais alguma coisa. Poderia ao menos ter-lhe desejado uma boa entrevista, e um “que Deus lhe abençoe”, além do meu tímido “de nada”...


Fico aqui me cobrando... Mas, ao mesmo tempo, agradeço a Deus por ter me dado essa pequena oportunidade de ajudar alguém com tão pouco, com meus prestobarba e meu simples sorriso. E rezo para que aquele homem tenha tudo o que merece na vida, enquanto eu vou aprendendo mais um pouquinho, a cada dia, a lidar com meus preconceitos, lembrando que as pessoas são diferentes. Como o rapaz de ontem e o de hoje. Como meu amigo e um marginal. Como eu e você.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Walk On!


Walk On (tradução)

U2

E o amor não é uma coisa fácil

É a única bagagem que você pode levar
Amor não é uma coisa fácil
A única bagagem que você pode levar
É tudo o que você não pode deixar para trás

E se a escuridão for nos separar
E se a luz do dia parece estar muito longe
E se seu coração de vidro se partir
E por um segundo você quiser voltar atrás
Oh, não, seja forte

Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou, eles não podem te roubar
Não, eles não podem nem sentir isso
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite

Você está arrumando a mala para ir a um lugar
Onde nenhum de nós esteve
Um lugar no qual se tem que acreditar para se ver
Você poderia ter voado para longe
Um pássaro cantando em uma gaiola aberta
Que só irá voar, só voará pela liberdade

Continue em frente, continue em frente
O que você conquistou eles não podem te negar
Não podem te vender, nem podem te comprar
Continue em frente, continue em frente
Mantenha-se segura esta noite

E eu sei que dói
Como o seu coração se partiu
Você pode aguentar mais um pouco

Continue em frente, continue em frente

Lar
Difícil saber o que é
Se você nunca teve um
Lar
Eu não sei onde é
Mas, eu estou indo pra lá
Lar
É onde a dor está

E eu sei que dói
E o seu coração, ele se partiu
E você pode aguentar mais um pouco

Continue em frente

Deixe para trás
Você tem que deixar isso para trás
Tudo o que você produz
Tudo o que você faz
Tudo o que você constrói
Tudo o que você quebra
Tudo o que você mede
Tudo o que você sente
Tudo isso você pode deixar para trás
Tudo o que você raciocina, é apenas tempo
E eu nunca estarei acima do que procuro
Tudo o que você percebe
Tudo o que você conspira
Tudo que você veste
Tudo o que você vê
Tudo que você cria
Tudo o que você destrói
Tudo o que você odeia

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A menininha no ônibus

_ Clarinha… Segura firme, senão você cai!

_ Mamãe…

_ Sim, meu anjo!…

Foi hoje à tarde. Estava muito calor. Eu estava muito cansado. E ainda não estava indo pra casa… Tinha ainda uma reunião num bairro distante.

_ Mamãe, dentro da sua barriga tem uma… uma sementinha?

_ Tem sim…

_ Que foi… que foi o papai que colocou, né?

_ Foi.

_ E vai crescer e crescer… e virar o meu irmãozinho!!

Ela não aceitou o acento que ofereci. Não a Clarinha, mas sua mãe. Recusou, disse que o ponto em que iam descer estava próximo. Recusou. Mesmo carregando a sementinha na barriga.

Deveria ter insistido mais. Com toda a certeza. Mas nem foi o cansaço que me impediu; foi a falta de jeito mesmo, perante a simpatia daquela mãe. O cansaço já tinha ido embora. Ou melhor, ainda estava lá… Mas o sorriso daquela menina deixou-o muito mais leve, e – por que não? – prazeroso…

_ Segura, meu anjo! Segura firme!

É nessas horas que eu gostaria de conseguir ser um pouquinho mais extrovertido com estranhos, insistir em algo que é óbvio: aquele lugar não era meu, era daquelas duas que estavam ali em pé, espremidas no ônibus cheio, e do garotinho-semente que, apesar de provavelmente estar mais confortável que todos nós ali, também merecia sacudir um pouco menos. Mesmo que os lugares reservados para grávidas estivessem lá na frente, ocupados por estudantes que conversavam, animadas. A barriga ainda estava pequena, vale dizer; provavelmente só eu, enxerido ouvindo a conversa alheia, havia percebido que tinha uma “sementinha” ali dentro…

Mas não deu tempo de pensar muito mais. Clarinha logo desceu com sua mãe, me deixando um sorriso no rosto, e um pequeno peso nos ombros por não saber como retribuí-lo

O mínimo que posso fazer, pensei depois, é tentar passá-lo para frente. Não vai ser a mesma coisa, mas pelo menos é uma tentativa.

Que nossa semana seja, então, repleta de sorrisos de crianças! Se não de verdade, ao menos simbolicamente…

Criança sorrindo

Fechado?


(JF, 24/11/2009 -originalmente publicado no Vivo pela Vida)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Anencefalia


Deu vontade de falar disso. Algo que me faz pensar muito... Reflexões profundas sobre a vida e tal.

Mas acho que nem é preciso falar muito... Basta indicar:

www.anencefalia.com.br

Anencefalia - info

E meu último post sobre isso lá no VPV.

Dá uma olhada. Acredite: vale a pena...