quinta-feira, 14 de junho de 2007

Enamorando-se...

Recebi esse texto por e-mail. Não conheço o autor, mas achei muito interessantes as colocações, falam sobre a "necessidade" que temos de nos apaixonar... vale a pena ler!!
E feliz "enamoramento" pra todos! rs...



O Dia dos Enamorados

"Dos teus lábios aos meus encontrei
o perdão dos meus pecados"

(Romeu e Julieta, Willian Shakespeare)

No próximo dia 12 de junho, celebramos o Dia dos Namorados, ou como se dizia em português arcaico e mais profundo em seu significado, “Dia dos Enamorados”.Quem nunca: correu o risco da paixão e sofreu com términos de relacionamento; já confundiu sentimentos; já chorou ouvindo música no chuveiro para ninguém ver; já achou que era “para sempre” e estava enganado... Quem nunca já se sentiu assim, ou mesmo poderá dizer que nunca mais vai passar por essas coisas... E quem nunca sentiu um “não sei bem o que” que incomoda, quando vai se aproximando o 12 de junho, especialmente quando a sociedade burguesa transformou o dia dos “Enamorados” em Dia dos Namorados. A sociedade contemporânea acredita que a felicidade deve ser vivida a dois, e não raro descobre que tal “felicidade a dois” pode se transformar num “egoísmo a dois” de insuportáveis proporções para ambos.

Por isso quero falar não somente dos namorados, mas dos enamorados.Ser “enamorado” é muito mais profundo e cristão. Na mitologia grega, temos a figura de Éros, símbolo da paixão (traduzido para o latim como Cupido), que em sua aljava tinha flechas da atração e da aversão. Tais flechas tinham um poder “epidérmico”, superficial que se entregava para os aspectos externos da beleza.Assim os que não eram beneficiados com uma estética apurada, quase sempre sentiam a dor da aversão, para este tipo de paixão.Mas certa vez, o próprio Éros se apaixona pela mais bela de todas as mulheres helenas, Psiché, que na mitologia simboliza a alma, a personalidade, o eu interior, representada na figura de uma “borboleta” (sensível, bela e livre).Esta por sua vez, só se encanta perdidamente, quando retira de Éros a sua máscara.Éros consegue obter, depois de muitas dificuldades, de sua mãe Afrodite, deusa do amor, o dom da imortalidade para Psiché, a fim de poder amá-la por toda a eternidade.

Nesta bela história, os gregos nos ensinam algo importante sobre ser enamorado: a verdadeira paixão se dá em nosso interior, ao descobrir no outro algo de nós mesmos, que combina, que encaixa, que “complementa” (diferente de “completa”). A verdadeira paixão nasce de afinidades internas e íntimas que às vezes nós mesmos desconhecemos, por isso, às vezes num primeiro momento aquela pessoa que “aparentemente” não se vê nenhuma possibilidade de estarem juntos, pode se transformar num fecundo e realizador relacionamento, ao se descobrirem. Isso nos faz dar importância para a necessidade de nos conhecermos, de construirmos nossa personalidade (cuidar de nossa borboleta), que a grosso modo tem a haver com o “modo” de nos relacionarmos com as pessoas, com o jeito de enxergarmos o mundo, de ouvir e de falar, com o horizonte que traçamos, para saber quem são as pessoas que serão companheiras de caminhada e como serão.Faz-se necessário primeiro se encontrar para depois se perder no encontro do outro, pois apesar da paixão sempre ser um risco, ela precisa ser um risco calculado. Doutro “modo”, a paixão pode ser traumática, quando não sabemos o que e quem procuramos, por não saber quem somos e aí o “para sempre”, sempre acaba, mais cedo ou mais tarde.Já os gregos concentraram no substrato semântico da palavra “paixão” (em grego pathós) também o significado de “sofrimento”, devido ao seu risco “pato-lógico” inerente.

A experiência cristã apresenta um diferencial para a paixão, uma vez que Cristo se encarnou para sermos profundamente humanos, a fim de não sofrermos com paixões “lunáticas”, tampouco com a “a-pathia” (sem paixão) na vida. Em Cânticos dos Cânticos, a paixão é apresentada como “faísca de Yahweh” (Ct 8,6), a chama divina que todo ser carrega. A diferença da mensagem cristã, é que o ser humano não foi dividido por Deus, para viver numa busca desesperada da sua “cara metade” que lhe complete, como é para os gregos. O ser humano criado por Deus é “completo”, imagem e semelhança Dele, não lhe falta nada para viver, as pessoas em nossa vida nos complementam, mas não podem nos completar, exigir isso delas, é pré-estabelecer uma relação frustrada e dependente de algo está faltando, carecendo de elementos primários, que talvez em nossa infância não tivemos, e por isso sofre-se a patologia da paixão.É o fato de sermos completos que permite fazer do namoro um tempo de conhecimento de si e da outra pessoa, que pode vir a ser ou não para sempre, e não uma dependência.Quantos dias dos namorados, com “namoros não enamorados” são vividos sem sinceridade de sentimentos? !?!

A paixão é uma experiência de sentido [desperta um novo sentido para a vida], do mesmo modo que a experiência de Deus também o é, e por isso é uma experiência apaixonante, um sentido que enobrece nossa vida. Do mesmo modo em que Romeu mudou de vida ao se enamorar de Julieta: “Dos teus lábios aos meus, encontrei o perdão dos meus pecados”. E, assim se exprimiu o profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei um coração novo, tirarei seu coração de pedra e colocarei um coração de carne[plenamente humano, capaz de amar]... [pois] porei no vosso íntimo o meu espírito” (Ez 36,26-27). Acaso não é o beijo um símbolo de entrega do íntimo. Dissera São Gregório Nazianzeno: “Que é o Espírito [Santo] senão o beijo do Pai no Filho”. Não é no beijo apaixonante do Espírito [experiência de intimidade] que mudamos nossas vidas.

O Espírito Santo é o primeiro apaixonado de toda a existência, na verdade Ele é a própria paixão que desperta em nós o sentido da vida. É dessa relação apaixonante com Deus, que nos tornamos enamorados pela vida, pela vocação, pela família, pela missão, pelos amigos, e apesar de todos os padrões estéticos... por alguém. Se é verdade que pode-se viver “sem namorar”, é também verdade e até maior que não se vive “sem se enamorar”, e pra nós cristãos a paixão por Deus é fonte de todas as outras paixões, pois pelo que nos apaixonamos, revela o conhecimento de si e o que somos chamados a ser, e assim podemos descobrir como queremos viver enamorados. Por isso, para nós cristãos, o dia 12 de junho é para ser celebrado por todos os “enamorados”. Para os casais é oportunidade de exercitar a nobre vocação de se apaixonar muitas vezes pela mesma pessoa, para os solteiros é momento de celebrar a paixão pela vida, pelos amigos, pela família (como é “apaixonante” ver alguém “apaixonado” pela família), mas a todos sem exceção: FELIZ DIAS DOS ENAMORADOS ! ! !

Alex Villas Boas.

Teólogo / São Paulo, SP

2 COMENTÁRIOS:

Shela disse...

Linda mensagem, de verdade!!!

Mônica Guarnieri Machado disse...

Adorei conhecer essa sua capacidade de enamorar-se pela vida, Alex! Não sei viver sem paixão! Neste sentido, sou absolutamente passional! Lindo e necessário! Dá vontade de te conhecer mais e mais... rsrs..
beijos,
com carinho,
Mônica Guarnieri