Hoje me vi inspirado, por essas circunstâncias da vida, a aprofundar a reflexão acerca de uma questão importantíssima para a sobrevivência da humanidade, mas nem sempre estudada com seriedade: o que é um chato? Perguntando pro grande oráculo googleriano (ele tudo sabe e tudo vê - você é que não sabe perguntar!), percebi que podem haver várias definições. Segundo a Wikipédia, é um piolho pubiano (também conhecido como chato-pentelho); segundo um glossário de vinhos, é o vinho sem acidez ou espumante que perdeu o gás (realmente, isso é chato...); segundo um glossário de um armazém on-line, é um “Tipo de vazado de lâmina onde as superficies desbastadas e polidas são retas, chatas. Na cutelaria de séculos passados muitas lâminas pareciam..." (uáááááá - que sono...); segundo um leitor mais crítico, é ficar tentando definir algo com base na internet.
Bem, mas descontando algumas pérolas como “é tentar pegar gilete no chão”, gostei de um cara que definiu chato como “uma pessoa que fala quando você queria que ele escutasse”. Isso é uma boa forma de identificar um chato, mas só quando dos primeiros contatos com tal pessoa. Sim, pois depois de algum tempo, talvez você já nem queira mais que aquele chato pare pra te escutar: ou porque você vê que não vale a pena interagir com um ouvido chato, ou porque você já não acredite mais na capacidade do indivíduo de processar adequadamente qualquer informação que lhe é passada. Ou seja, chato simplesmente não sabe ouvir.
Ok, ok... estou sendo muito grosso com os chatos. Na verdade, é até complicado generalizar, falar "os chatos” como se fosse uma classe específica, digna de entidades representativas: “chatos anônimos”, “sindicato dos chatos”, “movimento pela libertação dos portadores de necessidades relacionais”. Não, não... a chatisse é um vírus com múltiplas formas, pode apresentar-se de maneiras bem variadas, tornando-se mesmo difícil a classificação etiológica das pessoas em “chatos” e “não-chatos”. Mas podemos tentar estipular algumas características para mantermo-nos previnidos, aguçando a capacidade de identificar o mais breve possível um chato disposto a parasitar a nossa nobre paciência. Vejamos o que diz a mais avançada literatura científica sobre a área.
Segundo os estudos mais modernos, o Transtorno de Chatisse Crônica (TCC) é caracterizado pelo desequilíbrio nos níveis de secreção cerebral de uma substância denominada semancolina, a qual tem grande importância na história evolutiva do ser humano. Ao processo do organismo de secretar e absorver a semancolina, chamamos “semancamento”; se o semancamento for desproporcional ao índice de massa encefálica que o organismo mantém em funcionamento, e se este desequilíbrio ocorrer por um longo período de tempo, pode-se ter um caso de TCC. Assim, podemos classificar o indivíduo portador de TCC em dois tipos básicos: I) os que semancam de menos, e II) os que semancam demais.
Deixa eu explicar. O primeiro tipo é o mais comum, e estima-se que abranja cerca de 33,33% da população masculina em idade adulta (com um aumento expressivo de ocorrência na época no carnaval) e 101% das crianças. É o sujeito que nunca semanca. As manifestações comportamentais decorrentes da baixa semancolina podem ser as mais variadas, desde puxar papo com o colega ao lado no meio de uma prova de concurso público até a repetição constante de frases monotônicas como “faz um favor?” e “eu não disse?”. Começar frases com “Veja bem” ou “Olha só...” também são fortes indícios de TCC; levar um cachecol pro filho adolescente em plena aula de educação física é considerado um sintoma agudo de alta periculosidade. Estratégias de tratamento à base de cara feia, tiradas indiretas e mesmo xingamentos explícitos não obtiveram nenhum resultado específico em exames de laboratório.
O segundo tipo de portador do Trantorno da Chatice Crônica é caracterizado pelo excesso de semancolina no organismo; é o indivíduo que acredita que deve semancar a toda hora. Abrange uma parcela também considerável da população, sendo a maioria dos casos relatados ocorridos entre donas-de-casa e adolescentes com franjas no cabelo; a época do Natal apresenta um aumento bastante expressivo de casos. Frases como “desculpa qualquer coisa” e “serei eternamente grato por isso” são clássicas; num nível mais profundo, observa-se uma expressiva ocorrência de elaborações como o “eu não presto, mesmo...” e “perdoe por eu existir”. Muitas vezes este indivíduos eram confundidos com aqueles que apresentam falta de semancolina, por aparentemente não semancarem; mas as pesquisas mais recentes comprovam que eles, na verdade, semancam tanto que seu organismo só não transborda semancolina por medo de sujar o chão.
Mas é fato que muitas vezes os pacientes apresentam oscilações bruscas no semancamento, alterando tanto entre os tipos I e II, que alguns autores chegam a cogitar a possibilidade criar um terceiro tipo de TCC: o daqueles que oram semancam demais, ora semancam de menos.
Existem ainda várias particularidades acerca do estudo da Chatisse¹, mas uma coisa podemos tirar de lição dessa aula chata: enquanto não inventam o semancol, a única forma de curar a chatisse é pelo método de acreditação “The Secret”. É simples: faça a seguinte pergunta a alguém que conviva muito com você, e que você tenha a certeza de que não sofra de TCC (especialmente o tipo II): “eu sou chato?” Se a pessoa fizer qualquer gesto suspeito ou grunhido, olhar para outra direção antes de falar, ou mesmo demorar mais de 2 segundos para responder algo como “não”, pronto, pode ter certeza: você é um chato de galocha. Na verdade o resultado 100% negativo só é garantido se a pessoa demonstrar verdadeiro assombro diante da sua pergunta. Pois só um chato pergunta se é chato.
E o melhor de tratar-se seguindo as técnicas do “The Secret” é que o resultado é imediato: quando você descobre que é um chato, automaticamente fica curado. Pode acreditar. Pois, pra ser um chato, você não pode saber que é. Mas nem tudo está perdido: você ainda pode arrumar um bom emprego oferecendo cartões de lojas de departamento a quem passeia feliz pela rua. E quem sabe, um dia, chegar a trabalhar em vendas por telefone...
Agradecemos a atenção!
(Ah, e sim, eu já fiz o teste. Mas não vou falar meu resultado. Seu chato.)
¹ PS: Um detalhe interessante é que os estudos não são conclusivos acerca do sintoma conhecido como PSE (puxa-saquismo explícito); alguns autores consideram-no como causado pelo TCC, enquanto outros classificam-no como uma manifestação clara de um outro transtorno, o TSVG (Transtorno de Sem-Vergonhice generalizada). A Sem-Vergonhice, embora à primeira vista pareça similar à falta de semancolina, difere-se desta por ser causada, na verdade, pelo desquilíbrio de outra substância no organismo: o líquido perobiano.

2 COMENTÁRIOS:
Biel de onde vc inventa essas coisas? Caracas, ainda por cima consegue escrever linhas e mais linhas sobre o assunto!!!
Não tem mais nada o q fazer não? rsrsrs
O pior é q eu fico lendo...kkkk
Brincadeirinhas... parabéns por tanta criatividade.
Deus te abençoe!!! Bjus e já tô com saudade maninho.
Pois é, miguinha.. esse blog já teve tanta coisa produtiva, tanta coisa bonita.. agora eu fico perdendo tempo com essas retardadisses aí.. kkkkk..
Preciso renovar isso aqui já, já...
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