
Uma amiga me pergunta (com ar um tanto misterioso) se eu estava acompanhando aquela série da Globo, “Afinal, o que querem as mulheres?”. Outra amiga desabafa no Twitter sua indignação com o último episódio, que parece não ter dado a tão esperada resposta. Homens aproveitam o assunto pra fazer infindáveis piadinhas, hilárias ou machistas...
Parece que, mais do que dar audiência pra uma obra “cult”, a Globo conseguiu com esse programa trazer à tona uma pergunta pra lá de milenar. Afinal, que homem nunca se perguntou o que afinal uma mulher quer dizer com tantos murmúrios, olhares, "não sei", "talvez" e japonês em braile? E que mulher nunca se esforçou para tentar ser compreendida – nem que seja por si mesma?...
Pois eu acho que a resposta, em termos de relacionamentos, pode ser mais simples do que se imagina. Sim, amigos e amigas: tentarei o sacrilégio de esquematizar, resumir, generalizar, simplificar essa questão... Quer dizer, simplificar mas ainda deixá-la complexa. Tipo assim:
Ora, as mulheres (ao menos as mulheres modernas "básicas", por assim dizer) querem que os homens saibam como lhes fazer felizes.
Ponto.
Simples assim? Pois é.
A complexidade... bem, a complexidade vem das implicações que esse “querer” representa. Vejamos:
- Felicidade é um conceito um tanto quanto subjetivo. Algo que faz uma pessoa feliz pode não significar nada pra outra pessoa. Meu pai, por exemplo, é chegado num jiló.
- Nem sempre as pessoas sabem exatamente o que é que lhes deixam felizes. Grande parte de nós fica a vida inteira nessa busca.
- Mesmo que tenha idéia de algumas coisas que lhe fazem feliz, uma mulher não gosta de dizê-lo. Prefere que o outro adivinhe. Né não?
- E um homem, mesmo que seja daqueles que dediquem sua vida a tentar fazer uma mulher feliz (sim, meninas, isso existe!), também é uma pessoa em busca de felicidade. Uma hora ou outra, se é um sujeito que se valoriza, ele vai ter seus próprios anseios, que nem sempre irão coincidir com os das mulheres...
Imagine então todas essas “complexidades” juntas, e mais algumas pra apimentar. Sim, é o caos. E se aproximará cada vez mais de um “inferno” quanto mais egoístas forem as pessoas envolvidas nessa relação... Ou se, mesmo sem tanto egoísmo, um duvidar do amor do outro pela dificuldade de entender as diferenças.
E, em meio às frustrações, não raro passa pela cabeça da mulher o famoso mantra: “os homens são todos iguais!”. Algumas logo afastam esse pensamento, mas outras acabam acreditando piamente nisso. E, aí, tudo o que um ser do sexo masculino fizer servirá para comprovar tal tese.
Mas ora, os homens não são iguais.
E é justamente quando a mulher percebe isso, que os homens são tão diversos e complexos quanto ela, mas têm formas bem diferentes de demonstrar, é que deixa de ser tão difícil para eles – e para ela própria – compreendê-la e fazê-la feliz.
É tudo uma questão de inteligência, de ambas as partes. De sabedoria de vida, eu diria. Para compreender as inevitáveis diferenças: muitas delas são de nascença, “cromossômicas”; outras herdadas da cultura e das experiências de vida nem sempre fáceis que cada pessoa, seja de que sexo for, enfrenta nessa sociedade.
É preciso valorizar o outro. É só procurando entender o outro lado e mergulhando na beleza de cada um que uma grande mulher encontrará o que realmente merece: um grande homem. Que a valorize, e consiga fazê-la feliz não pelo simples fato de ela ser mulher, mas por ser uma grande mulher...
Como? Bem, aí sugiro o Drummond, melhor do que essa minha prosa aqui. Porque falar de mulher, amigo, é impossível sem verso.
Dá não.

1 COMENTÁRIOS:
Gabriel, adorei! É sempre bom saber que pelo menos algumas conversas nossas rendem boas reflexões!
Eu concordo com vc, só depois de parar de generalizar as situações como "coisa de homem" ou "coisa de mulher", é que vamos conseguir mergulhar de verdade na individualidade da pessoa (e quem sabe até se apaixonar por ela).
Não dá para dizer o q querem as mulheres nem o q querem os homens, é melhor (e ainda assim é difícil) tentar ver o que cada ser humano quer e precisa. Afinal, como disse nosso querido Drummond, "ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar".
Beijos!
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